O que é a COP e por que a de Belém é tão importante para o Brasil e para o mundo?


Vamos do início: há quase 40 anos, em 1988, o primeiro relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas demonstrou que os efeitos das mudanças no clima são potencialmente influenciados pela ação humana, especialmente através da liberação de gases do efeito estufa - essa hipótese foi comprovada com o avanço da ciência climática e hoje pode ser considerada um consenso na comunidade científica internacional. Por isso, os países se reuniram no Rio de Janeiro de 1992 e criaram a Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, para buscar formas de caminhar conjuntamente para limitar os efeitos das mudanças no clima. Desde 1994, os países se reúnem todos os anos para discutir como fazer isso em uma cidade diferente. Essas são as Conferências das Partes, as COPs, e será a primeira vez que o Brasil sediará esse evento tão importante.

Nesses espaços, os países precisam conciliar interesses muito distintos. No fim, todos são impactados de alguma forma com os efeitos das mudanças climáticas, mesmo que de diferentes formas - afinal, os países que menos poluem são os que mais sofrem com as mudanças climáticas. Isso não é justo.

Somente em 2015, com o Acordo de Paris, encontramos uma ferramenta que abrangesse a todos, dos países ricos aos em desenvolvimento, estabelecendo responsabilidades comuns e contribuições que cada país apresenta para reduzir as suas emissões, as chamadas NDCs. Esse mesmo acordo estabeleceu instrumentos de cooperação e financiamento para ações climáticas, por parte dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento.

Em 2023, na COP28, foi realizado o primeiro balanço global, que é como os países avaliam o impacto da política climática em andamento. Neste ano, em 2025, os países estão prontos para apresentar metas mais ambiciosas na forma da atualização de suas NDCs, sendo que somente 30 países as atualizaram, dos quais correspondem a 21% do total das emissões globais, de acordo com dados do Climate Watch. O Brasil foi um dos primeiros a o fazer!

Como avaliado pela Professora Thelma Krug, pesquisadora aposentada do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), a COP de Belém convida os países para avançar para o próximo passo: a criação de instrumentos conjuntos de implementação de ações concretas para a redução dos efeitos das mudanças do clima. O Brasil poderá liderar essas negociações. A proximidade dos negociadores com a engajada sociedade civil, assim como a visibilidade que a COP irá trazer para a região amazônica e para os efeitos da emergência do clima na região. Como define a Professora Thelma, existe “uma oportunidade única de reduzir o desconhecimento global sobre a dimensão e a relevância da floresta. Apesar das pressões, existe o potencial de alcançar resultados no financiamento climático e na criação de iniciativas de ação e impacto para combater as mudanças climáticas”.

Soluções baseadas na natureza e o compartilhamento de conhecimentos ancestrais podem destravar as ações a serem tomadas a partir de novembro, ao passo que o debate climático, como avaliam analistas, caminha para iniciar a sua fase de implementação em escala global. Por isso a COP de Belém é tão importante.

Fontes:
https://agencia.fapesp.br/cop30-pode-passar-do-plano-das-negociacoes-formais-para-acoes-efetivas/55727
https://www.climatewatchdata.org/ndc-tracker
https://www.ipcc.ch/meeting-doc/1st-session-of-the-ipcc-geneva-9-11-november-1988/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Belém é "bizarra"?

Nossas publicações